Interessante como praticamente todos aqui têm histórias parecidas. Falam de terem conhecido a “Verdade” (prometeram me explicar do que se trata) e de terem passado por uma “Grande Tribulação”, algo que nunca aconteceu antes e que relativamente poucos conseguiram viver depois dela. Quando alguns começaram a falar da idade que tinham, das mudanças na vida que fizeram e das transformações ocorridas ao redor, eu comecei a ficar tonto de tanta confusão mental, era tudo novo demais e difícil de compreender. Isso sem falar no relato da jovem que chegara antes de mim a esse local.Percebendo isso, pediram que eu contasse de mim e da minha vida.
Logo falei da vida dura, da luta diária do meu falecido pai, da mãe zelosa que cuidava da família, do irmão maravilhoso que ajudei a educar e que mais tarde devido à minha doença tornara-se meu segundo pai. Comentei do esteio dos nossos melhores sonhos, o “livro bonito” como nós chamávamos e das suas lindas ilustrações que punham cor e brilho a uma vida tão cinzenta e nebulosa. Embora não soubéssemos do que se tratava, sua mensagem visual dava a nós esperança. Comentei de onde morava, a vila pobre cheia de contrastes ao redor: uma mina de carvão (a fonte da vida e da morte dos pobres) e um pomar (o paraíso intocável onde só os ricos podiam entrar). Depois disso, mencionei as minhas lembranças mais recentes dum ângulo pouco privilegiado do tempo em que fiquei doente. Meu pequeno irmão cada dia ficando maior e trabalhando mais. Minha amada mãe ficando grisalha e enrugada, mas mantendo o olhar carinhoso, o sorriso sincero e as mãos quentinhas que me afagavam enquanto cuidava de mim. Das suas palavras de consolo me dizendo que tinha certeza que algum dia tudo iria melhorar. Por fim, o dia em que me olharam de forma triste e as suas últimas palavras. Quanta saudade! Baixei a cabeça e chorei...eles também, a sinceridade no olhar deles me acalmou.
-“Agora, eu que pergunto: por favor, onde estou? Algum de vocês pode me ajudar a encontrar minha família?
“Fique tranqüilo, amanhã de manhã veremos o que é possível para ajudá-lo!”, garantiu um deles.
Satisfeito, pedi que me falassem um pouco mais, mas, devagar e com paciência comigo sobre a Verdade de que todos tanto falaram...
(Para entender melhor leia "Caminhando" desde a Parte-1)
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