
Nos primeiros anos da década de 80, mais especificamente no ano de 1981, eu com meus curiosos seis anos começava a despertar para a vida. Já tinha lido meu primeiro livro, O Flautista de Hamelin e começava a conhecer muitas pessoas que só não se perderam no tempo porque minha memória ainda os guarda muito bem vivos.
Tentarei, falar de alguns mais notáveis, mas para começar falarei de alguém que só conheci por um nome: Marieta.
Já faz muito tempo, mas lembro bem daquela que chamavam de Marieta a doida. Devia ter uns 40 anos, cabelos longos, pele branca, nariz pontudo e olhar inquieto. Vivia nas vizinhanças da Escola João Fernandes da Silva, onde eu estudava a primeira série no pequeno município de São João. Apesar da fama, Marieta me parecia uma pessoa pacata e concentrada no seu mundinho particular.
A gente miúda que estudava comigo não tinha medo dela, e a maioria ao passar ao seu lado até gritava: “Marieta!!!”, claro que jamais soube de alguém obter dela alguma resposta nem olhar em troca do cumprimento repetido dezenas de vezes todo dia, eu, no lugar dela não faria nada diferente.
Ah, tem mais uma coisa: todos nós sabíamos se Marieta estava ou não na área. Não se preocupem, não tem nada de sobrenatural nisso. Ela tinha uma mania (gente assim tem disso) que lhe era peculiar: gostava de milho. Vou explicar para que vocês que gostam de milho não comecem a pensar que estão precisando de um psiquiatra. Marieta debulhava o milho e comia somente uma parte do grão jogando ao chão o resto, hoje sei que essa parte se chama gérmen. (memória de criança também é cultura) Assim, toda vez que víamos grãos de milho em forma de “U” pelo chão dizíamos: “Marieta está por ai”.
Apenas para fechar o capítulo 1 das personagens da minha vida, falarei de uma lição importante que aprendi: a de nunca mexer com que está quieto. Certo dia um grupo de crianças da escola, não lembro bem se antes ou depois da aula, resolveu “cutucá-la”. Acho que não estavam satisfeitos com o fato de nunca terem ouvido a voz dela e pensaram que conseguiriam incomodando-a, invadindo seu espaço. O resultado foi nada bom, Marieta levantou-se do seu lugar, puxou os cabelos de uma das meninas e gritou alto saindo correndo em seguida. Nunca mais se ouviu falar de alguém fazer parecido.
Até hoje tenho curiosidade de saber quem era ela, de onde veio, como chegou àquela situação e que fim teve, informações que nunca consegui nem sei se algum dia conseguirei. Talvez ela nunca imaginou ser lembrada, tampouco circular pela rede mundial, ou, no seu mundo de pensamentos já viajava pelo mundo numa velocidade muito maior que a melhor banda larga. Independente disso, mais uma vez quero cumprimentá-la:
- “Marieta!!!!!!!!!!!!”
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